Emma Roberts e Freddie Highmore em cena de “A Arte da Conquista”

Se existe uma fase da vida onde se perde o sentido das coisas e algumas situações simples tomam grandes proporções, essa fase é a adolescência. Cercada de paixões, dúvidas e aventuras (nem sempre bem sucedidas), ela traz consigo muitas vezes a descoberta do primeiro amor. É o que acontece em “A Arte da Conquista”, filme independente estrelado por George Zinavoy (Freddie Highmore, de A fantástica fábrica de chocolates) e Sally Howe (Emma Roberts, de Pânico 4).

Na Trama, George é um garoto que se autodeclara misantropo e prefere passar o tempo em companhia de livros ao invés de amigos. No colégio, passa o tempo todo rabiscando desenhos nos livros, não faz as atividades e tampouco presta atenção nas aulas. Por conta disso está com sérios problemas em relação aos estudos. George quer ser um pintor e tem potencial para isso, mas parece viver num bloqueio criativo constante que não o permite explorar o seu talento com as artes.

Em um de seus momentos de “reflexão” fora da sala de aula, George conhece Sally, garota rica e popular do colégio que aparentemente não tem nada a ver com o seu mundinho. A garota é recém-chegada na cidade e mora com a mãe que é uma solteira convicta. Já George mora com a mãe e o padrasto, mas a sua relação com eles não é das melhores. Aos poucos percebemos que os dois de certa forma compartilham da mesma estranheza e solidão típicas da fase que os dois vivem. Nasce então uma bonita relação de amizade e companheirismo entre os dois, embora vivam em mundos completamente opostos.

Apesar das inúmeras possibilidades de transformar o filme em um drama meloso, o diretor e roteirista, Gavin Wiesen, não o faz. O foco do filme não está nos problemas familiares, acadêmicos e amorosos do protagonista (que poderiam ser mais explorados afim de emocionar o público). Todo o roteiro direciona para a relação de George e Sally e seus questionamentos em relação à vida e ao futuro.

Não se deixe enganar pelo título em português, que pode sugerir uma comédia romântica. O filme é um drama sobre as pequenas dúvidas existenciais da adolescência. O título original “The art of getting by” (algo como “A arte de se safar”) diz tudo sobre o protagonista. Simples, direto e sem apelações. Bom filme.

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