O fato de “Plano de Fuga” ter sido lançado diretamente em home vídeo no mercado norte-americano demostra o quanto o ator/diretor Mel Gibson perdeu muito prestígio nos últimos anos. O astro de filmes de ação como “Máquina Mortífera” dessa vez embarca num projeto independente onde ele mesmo produz, roteiriza e atua, provando que ainda sabe fazer bons filmes mesmo sem apoio dos grandes estúdios de Hollywood.

“Plano de Fuga” acompanha a história de um personagem sem nome conhecido apenas como “driver” que é capturado na fronteira dos EUA com o México portando uma enorme quantidade de dinheiro. O homem misterioso é levado para uma prisão de segurança máxima no México conhecida como “El Pueblito”. O local mais parece uma pequena cidade. É possível encontrar mercados, bares, casas, além de ser permitido que alguns presos levem suas famílias para morarem no local.

Como toda cidade, “El Pueblito” tem sua organização própria de governo. O local é comandado por uma família de bandidos que dá ordens até mesmo para o diretor do presídio de como deve ser feito os procedimentos na prisão. O comércio e as casas também são gerenciados pela família, que cobra uma espécie de imposto sobre tudo que circula em “El Pueblito”. Após conhecer o sistema do presídio e conseguir se virar nos primeiros dias de detenção, Driver (Gibson) começa a arquitetar um plano para fugir do local e recuperar o dinheiro que está nas mãos dos policiais mexicanos.

O cenário mostrado no filme é totalmente hostil. O que vemos em tela é um local sujo, violento e repleto de figuras nada amigáveis. Existe um certo exagero na caracterização dos personagens secundários (corruptos e sem escrúpulos em sua maioria), mas nada que comprometa o resultado final do filme. Já o personagem de Gibson é uma espécie de anti-herói solitário em terra desconhecida que quer apenas cair fora e pegar de volta o “seu” dinheiro.

Apesar de previsível, o roteiro de “Plano de Fuga” utiliza bem as sacadas politicamente incorretas de Gibson e resgata alguns personagens memoráveis da carreira do ator. Quem estava com saudades do Riggs de “Máquina Mortífera”, Porter de “O Troco” ou do Rockatansky de “Mad Max” pôde por pelo menos 90 minutos relembrá-los num filme que equilibra muito bem o humor e a ação desenfreada.

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