Saint Seiya Ômega começa 25 anos depois dos eventos vistos ao final da Saga de Hades, onde a última Guerra Santa foi travada. Apenas os 5 Cavaleiros de Bronze originais saíram vivos dessa contenda, ao lado de Saori, a Deusa Athena. Porém, Seiya, Ikki, Shiryu, Hyoga e Shun não são os personagens principais desse novo anime.  A responsabilidade de proteger Athena agora cai nos ombros de Kouga, o novo Cavaleiro de Pegasus.

A história de Ômega é totalmente original, ou seja, não foi baseada em nenhum mangá publicado com o tema dos Cavaleiros do Zodíaco. Mas mesmo assim, segue a cronologia oficial do anime e os eventos vistos nos especiais de Hades.

Antes de falar desse novo anime, é necessário compreender o quanto CDZ foi importante para a popularização dos animes no Brasil na década de 90. Se hoje o Brasil é um dos maiores consumidores desse mercado, é graças a Seiya e seus amigos. Desde seu lançamento na TV Manchete em 1994 até os dias de hoje, a marca Saint Seiya é reverenciada no Brasil como um cânone dos animes. Apesar dos erros da dublagem, do corte feito pelas distribuidoras dos filmes e uma péssima adaptação dos nomes do mangá para o anime, Os Cavaleiros do Zodíaco é uma série reverenciada ao mesmo nível que Star Wars e Star Trek e que já arrecadou centenas de milhões de reais.

Mexer na história de forma tão profunda como a Toei Animation mexeu nesse novo anime foi algo que me deixou extremamente apreensivo, assim como milhares de fãs ao redor do mundo. Uma série com Saint Seiya no nome, sem ter Seiya e os outros cavaleiros de bronze ou os 12 Cavaleiros de Ouro como personagens principais, era fazer a mesma coisa que J.J Abrams fez com Star Trek. Um filme com Kirk, Spock e McCoy sem a história principal poderia ser um grande estrago em toda mitologia de Jornada Nas Estrelas. Porém, graças aos deuses do Olimpo, até agora tudo vem se saindo bem!

Voltando a história. Alguns anos após a morte do Deus Hades, Saori estava no Templo de Athena, atrás das 12 Casas de Ouro com um bebê brincando ao seu redor. Quando do nada, o Deus Marte aparece querendo matar a criança e levar Saori consigo. Depois de ferir a Deusa Athena com um ataque, Seiya aparece mais uma vez para proteger Saori e a criança. Só que Seiya não é mais o Cavaleiro de Pegasus. Agora ele se tornou o Cavaleiro de Ouro de Sagitário e possui um cosmo extremamente forte, onde conseguiu peitar Marte com o mesmo nível de poder de um deus. Mas, mesmo assim, ele não pode derrotá-lo totalmente e com um último Meteoro de Pegasus, os dois somem em meio a um clarão de luz.

Passada as duas décadas após esse evento, vemos Saori cuidando do jovem Kouga em uma ilha deserta em algum lugar do planeta. Kouga é treinado por Shaina (ou Shina) de Cobra para ser um cavaleiro, mesmo ele sendo relutante. Nesse época, Seiya é reverenciado como um cavaleiro lendário e muito poderoso que sumiu em batalha. Descobrimos nesse ínterim que o golpe que Marte soltou em Saori a machucou até no cosmo, onde uma energia negra a está consumindo.

Quando Kouga faz um pequeno showzinho dizendo que não gostaria de ser um cavaleiro e não liga para quem é Seiya, Marte acorda do seu coma e volta para tomar Saori e seu cosmo. Assim, descobrimos que todos os 12 Cavaleiros de Ouro restantes caíram sobre seu poder. Até o momento da série, sabemos que Shiryu, se tornou o Cavaleiro de Ouro de Libra e Hyoga agora é o Cavaleiro de Ouro de Aquário.

Para impedir que Saori seja levada, Kouga acaba vestindo a armadura de bronze de Pegasus e ataca Marte com o famoso Meteoro de Pegasus. Apesar de ferir Marte, o golpe não é suficiente para salvar Saori. A partir desse momento começa sua peregrinação para descobrir o que houve com a mulher que o criou.

Esse é o resumo do primeiro episódio de Saint Seiya Ômega. Até este momento,  já foram lançados 10 episódios, onde descobrimos algumas coisas interessantes sobre como está o universo dos Cavaleiros do Zodíaco. Uma delas é a grande referência a Harry Potter. Saori, percebendo a volta do Deus Marte, resolveu criar uma escola de cavaleiros para serem treinados de forma mais uniforme e coesa, diferentemente da série original em que todos eram treinados separadamente pelo mundo. Essa escola se chama Palaestra e dentro dela encontramos alguns personagens conhecidos do anime clássico, como Geki de Urso e Ichi.

Essa alteração no treinamento dos cavaleiros é até simples, comparada a grande mudança de todo o modo de operação dos defensores de Athena. As armaduras não ficam mais dentro das caixas conhecidas como “Pandora Box” e sim em gemas, que podem ser pingentes, brincos, anéis e outras jóias. Elas ficam guardadas no espaço, junto à energia do cosmo de cada constelação.

Outra grande mudança diz respeito ao cosmo dos cavaleiros. Agora, um cavaleiro não deve só controlar seu cosmo e, sim, dominar seu elemento. Cada elemento eleva o poder do guerreiro de uma maneira diferente. Os elementos são fogo, terra, vento, água, trovão, além de luz e sombra.

É apenas uma confirmação do que víamos na série clássica, onde analisando bem, Seiya era a luz, Ikki o fogo, Hyoga o vento, Shun o trovão e Shiryu a água.

Nesse novo anime, além de Kouga de Pégaso, também aparecem como personagens principais: Souma de Leão Menor, Yuna de Áquila, Éden de Órion, Haruto de Lobo e Ryuho de Dragão, que é filho de Shiryu com Shunrei.

Sem ter todo o sangue que o anime clássico tinha, Ômega mantém o espírito principal de todas as versões já vistas dos Cavaleiros do Zodíaco: o princípio da amizade. É através da amizade que Kouga e os outros partem para salvar Athena de mais um deus cruel que pretende destruir o mundo e refazê-lo a sua imagem e semelhança.

Os episódios me agradaram bastante. Claro que tudo muito mais manso e pasteurizado para a geração atual, que é criada a leite de pêra e ovomaltine, mas sem deixar de lado o respeito com o fã da série clássica que hoje já é um adulto com quase 30 anos. É isso que Saint Seiya Ômega propõe: trazer novos fãs a uma série de mais de 25 anos de idade e fazer com que velhos apaixonados possam assistir e ter um momento de nostalgia ao lado dos seus filhos.

Independente do resultado, a Toei Animation acertou em cheio nesse quesito, renovando seus “consumidores” com um material que chame a atenção de todas as idades. A Marvel e a DC Comics deviam aprender com os empresários do oriente como se faz para conquistar novos fãs sem perder os antigos.

Continuarei acompanhando Kouga com o mesmo afinco que acompanhei Seiya há quase 20 anos atrás. Dessa vez com mais bonecos na coleção e gritando “Me dê a sua força, Pegasus!” ao encontrar os amigos na rua.