Baseado em fatos reais, Jogo de Poder (Fair Game, 2010) nos transporta para o centro do escândalo Plame-Wilson, um dos momentos mais tensos da história política americana recente. Dirigido com mão firme por Doug Liman (A Identidade Bourne, Sr. & Sra. Smith), o filme não é apenas um thriller político, mas também um drama conjugal profundo e angustiante.
A trama acompanha Valerie Plame (Naomi Watts), uma agente da CIA que trabalha sob disfarce desmantelando redes de armas de destruição em massa. Sua vida vira de cabeça para baixo quando seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson (Sean Penn), escreve um artigo no New York Times contestando a alegação do governo Bush de que o Iraque estava comprando urânio de Níger. Em retaliação, funcionários do governo vazam a identidade de Valerie como agente secreta, destruindo sua carreira e colocando sua vida e a de seus contatos em risco.
Naomi Watts está brilhante, entregando uma performance sutil e poderosa. Ela transmite perfeitamente a dor de ver seu trabalho de anos ser destruído por vingança política. Sean Penn, como Wilson, é o motor moral do filme, um homem que age por princípio e paga um preço altíssimo por isso. Juntos, eles formam um casal crível cujo casamento é testado até o limite.
Doug Liman se afasta de seu estilo habitual de ação para criar um ambiente de paranoia e tensão constante. A fotografia tem um tom granulado e naturalista, e a edição ágil mantém o ritmo mesmo nas cenas de diálogo. O roteiro, escrito pelos irmãos Jez e John-Henry Butterworth, é inteligente e não subestima o público, explicando a complexa situação política de forma acessível.
No final, Jogo de Poder é um filme necessário. Um lembrete de que a verdade e a integridade têm um custo, e que o jogo do poder pode destruir vidas inocentes. Uma excelente adição ao gênero de drama político que vale cada minuto da sua duração.
Confira outras críticas em nosso arquivo de críticas.
