“Duquesa da Morte” e “Rainha do Crime” foram alguns dos apelidos dados a Dame Agatha Mary Clarissa Mallowan, a escritora britânica que se tornou conhecida em todo o mundo como Agatha Christie.

O motivo de sua popularidade – e também dos apelidos curiosos – vem do gênero que explorou em sua obra: um suspense policial em que detetives, oficiais aposentados e até mesmo uma velhinha sagaz desvendam crimes envoltos em mistérios.

Difícil encontrar quem não tenha lido ao menos uma das histórias de Agatha Christie. Seus livros – e foram mais de oitenta publicados – são tão populares que, em termos de vendas, só são ultrapassados pela Bíblia e por Shakespeare.

Curioso é que o mistério esteve presente não apenas nas obras da escritora, mas também numa passagem intrigante de sua vida pessoal. Em 1926, quando seu então marido confessou estar apaixonado por outra mulher, Agatha desapareceu por dias. Mergulhadores e aviões foram mobilizados em sua procura e até uma recompensa foi oferecida. Conta-se que, após onze dias, a escritora foi encontrada num hotel, onde foi vista dançando, jogando bridge, lendo jornais e fazendo palavras cruzadas. Mas há quem afirme que o episódio não passou de uma estratégia publicitária.

Os livros de Agatha foram adaptadas diversas vezes para o cinema e para a televisão. Um exemplo é o longevo seriado britânico Agatha Christie’s Poirot, que vai ao ar desde 1989.

Hercule Poirot é o mais famoso personagem de Agatha Christie, tendo protagonizado mais de quarenta histórias da autora. De maneiras afetadas, excêntrico e perspicaz, Poirot não deixava sem solução os casos de que se incumbia (creditando todo o mérito à psicologia e ao bom funcionamento de sua “massa cinzenta”).

Extremamente vaidoso, nunca descuidava do seu vistoso bigode. O esmero foi lembrado por Agatha quando opinou sobre a adaptação para o cinema de “Assassinato no Expresso Oriente” (1974), de Sidney Lumet. A escritora, que costumava se decepcionar com as adaptações de sua obra, gostou do filme, mas reclamou que o bigode do ator Albert Finney não estava bonito o suficiente.

Hercule Poirot interpretado por Peter Ustinov, David Suchet e Albert Finney

“Assassinato…” reuniu um elenco estrelar: Albert Finney, Ingrid Bergman (que levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante), Lauren Bacall, Sean Connery e Vanessa Redgrave. Outros astros de Hollywood, como Bette Davis, Mia Farrow e Peter Ustinov atuaram, também, em versões dos livros de Agatha para o cinema. Ustinov, assim como Finney, interpretou Poirot. Mas é David Suchet, protagonista de Agatha Christie’s Poirot, que costuma ser apontado como o ator que melhor personificou o detetive.

Das adaptações realizadas também destacam-se “Morte sobre o Nilo” (1978) e “Testemunha de Acusação” (1957), este último dirigido por Billy Wilder.

Os filmes baseados na obra de Agatha escassearam com o tempo. Segundo esta lista da wikipedia, o último foi feito em 1995. É uma pena, pois, com o vasto acervo deixado pela escritora, material é o que não falta para novas e interessantes produções.

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