Jonathan Daniel Brown, Oliver Cooper e Thomas Mann em cena de "Projeto X"

Um final de semana sem os pais em casa, uma festa inesquecível regada a muita bebida e drogas, participação de DJs e presença de altas gatas é o suficiente para transformar o mais loser dos adolescentes na estrela do colégio. Pelo menos isso é o que Thomas (Thomas Mann), Costa (Oliver Cooper) e JB (Jonathan Daniel Brown), protagonistas doe “Projeto X” pensam. O filme consegue divertir, mas para isso é preciso que o espectador entre no clima da balada e aceite os momentos absurdos da trama.

No filme, os três jovens são grandes amigos. Eles não são populares no colégio, não têm namorada e passam a maior parte do tempo sem serem notados no colégio. Sonhando dar uma virada na situação, eles planejam transformar o aniversário de Thomas em um acontecimento épico, aproveitando que os pais do mesmo estarão fora da cidade durante um final de semana. Nesse momento, Costa (o mais sem noção do grupo) resolve pôr em prática o “Projeto X”, que nada mais é do que uma festa inesquecível e sem regras.

Em seu “Projeto X”, Todd Phillips (diretor da franquia “Se Beber não Case”), Michael Bacall (roteirista de Scott Pilgrim) e o diretor estreante Nima Nourizadeh apresentam ao público uma ode ao comportamento sem escrúpulos, com uma linguagem que simula um falso documentário. O filme, que por aqui recebeu o singelo subtítulo “uma festa fora de controle”, conta com aqueles tipos já conhecidos de filmes como “Super Bad” e “American Pie”. Temos os nerds, que fazem parte da turma invisível da escola, os bullys (geralmente fazem parte de algum time de baseball ou futebol americano), as garotas mais populares e, claro, a mais gata de todas, objeto de desejo de 10 entre 10 garotos do colégio.

Mas se a intenção de adotar o gênero mocumentary era de dar mais realismo ao filme, aqui isso não ocorre. A estratégia não funciona justamente porque a direção esquece de manter aquilo que dá o tom de falso-documentário: as limitações, que vão desde um simples corte seco entre as cenas a um zoom mal feito e câmera tremida. Durante a “festa épica”, o diretor adota vários planos e sequências impossíveis de serem feitas apenas com uma câmera de mão (mesmo ele deixando claro logo no início do filme que se trata de uma câmera profissional). Além disso, o cinegrafista da história parece estar presente em vários lugares ao mesmo tempo, pois em muitos momentos não fica claro a passagem temporal de uma cena para outra. Até mesmo a alternativa de utilizar câmeras de outras pessoas presentes no local da festa soa bastante forçado.

A sensação que se tem é que “Projeto X” não precisava se assumir como falso documentário. Seria bem mais divertido ver essa festa inesquecível por vários outros ângulos, não só através da câmera de apenas um convidado e eventualmente por um ou outro celular. Esse caso é bem diferente de mocumentários como “Atividade Paranormal” ou “Poder sem limites“, onde a utilização de apenas uma câmera amadora é fundamental para tornar a história mais convincente. É apenas uma festa com centenas de adolescentes que sai completamente do controle, pela lógica nem mesmo o mais anormal dos jovens ali presente iria se preocupar tanto em passar toda a festa apenas filmando os outros se divertirem.

Apesar de assustador e completamente sem noção, o filme serve como entretenimento se não for levado tão à sério. Sabemos que nos EUA seria impossível realizar uma festa daquele porte sem que a polícia interferisse muito antes do que mostrado no filme. “Projeto X” já arrecadou R$ 50 milhões no mundo inteiro e uma continuação já está garantida, prova de que o gênero, ainda que não tão bem trabalhado aqui, obteve um bom resultado com o grande público.

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