No terror britânico O Despertar (2011), a personagem de Rebecca Hall, Florence Cathcart, é uma cientista cética e determinada que tem uma profissão bem incomum: ela é especialista em desvendar fenômenos sobrenaturais.

Florence (Rebecca Hall, Atração Perigosa) , também uma escritora, ganhou fama com sua profissão, e, por conta disso, é procurada por Mr. Mallory (Dominic West), funcionário de um internato para meninos que estaria sendo assombrado pelo fantasma de um antigo aluno. Florence aceita ajudá-lo e juntamente com Maud Hill (Imelda Staunton, Harry Potter e as Relíquias da Morte), a estranha governanta da escola, eles tentarão solucionar o mistério.

De início, Florence não tem dúvidas de que se trata de uma armação, uma travessura das crianças do internato. Ela está habituada, com seu trabalho, a desmascarar farsantes. De modo que, investida de uma parafernália que inclui sinos, câmeras e armadilhas diversas, buscará o culpado. Porém, conforme a trama se desenvolve, assistimos às certezas da caçadora de falsos fantasmas sendo sucessivamente colocadas à prova.

O Despertar é a estréia no cinema do diretor Nicky Murphy, conhecido até então por trabalhos para a televisão inglesa. O mais interessante no filme é a atmosfera tensa e a ambientação bastante fiel à Inglaterra do pós-guerra (o filme se passa na década de 1920), méritos da direção de arte. Outro ponto forte é a caracterização das personagens. O Despertar não é daqueles suspenses que se preocupam muito com os sustos e esquecem das personagens. Clarence Cathcart, por exemplo, é muito bem construída: desde o início do filme percebemos que determinação e inteligência são suas principais características. E, como a boa construção das personagens não valeria de nada sem o bom desempenho dos atores, o elenco também merece elogios: Rebecca Hall está excelente como a protagonista, e o mesmo vale para Dominic Wets e Imelda Staunton.

Porém, enquanto a ambientação e as atuações são pontos fortes, encontramos no roteiro um elemento frágil. É o roteiro e, mais especificamente, o final que ele oferece, que pode gerar frustrações para aqueles que, num primeiro momento, se empolgaram com filme. A solução encontrada pelos roteiristas para os mistérios que assombram o internato se mostra confusa e clichê. O amante do cinema de terror que vá aos cinemas esperando encontrar novidades pode se decepcionar. Mas, ainda assim, o filme vale pela excelência da direção de arte e por remeter a bons exemplares do gênero, como “Os Outros” e “O Orfanato”.

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