Professora sem Classe (Bad Teacher)Ao tentar quebrar a barreira do politicamente correto, “Professora sem classe” cai numa sucessão de erros e se torna uma comédia (se é que podemos classificar assim) sem nenhum atrativo. Esqueça o pôster, o título em português (um trocadilho até bem feito) e principalmente a frase de efeito da massiva campanha de marketing: “o que ela ensina não está nos livros”. A obra é totalmente esquecível e não entrega nada do que promete.

O “filme” conta a “história” de Elizabeth Halsey (Cameron Diaz), uma professora de escola primária que não vê a hora de deixar a função. Seus planos vão por água abaixo quando seu noivo (rico) termina o relacionamento, acusando-a de gastar demais. Como resultado, ela é obrigada a voltar à escola em que trabalhava para um novo ano letivo. Elizabeth não está interessada em ensinar os alunos e pouco se importa com as tentativas de integrar os professores capitaneada pelo diretor Wally (John Michael Higgins) e a professora Amy (Lucy Punch).

Elizabeth sonha em encontrar um homem que a sustente e, para tanto, decide fazer uma operação para aumentar os seios, por acreditar que, desta forma, será mais atraente. Sem dinheiro, ela começa a dar pequenos golpes envolvendo alunos e professores, para que possa investir em seu próximo “alvo”: Scott Delacorte (Justin Timberlake, A Rede Social, Amizade colorida).

É complicado saber o real propósito de “Professora sem classe”. O filme é muito imbecil infantil para ser uma comédia adulta e muito “adulto” para ser uma comédia infantil. Confuso, não? Pois é nessa linha (torta) que o filme se desenvolve. Ora bancando a comédia pastelão com direito a linguagem chula, insinuação de sexo (melhor nem comentar essa cena) e piadas idiotas bobas, e depois partindo para o “humor” politicamente incorreto, com cenas de bullyng e consumo de drogas.

Não quero levantar a bandeira do politicamente correto aqui, mas vamos aos fatos: se você quer colocar uma professora fumando maconha na frente de uma aluna (de 10 anos), ao menos tem que fazer com que a cena seja importante dentro do contexto do filme. Se for mostrar um garoto ficando “animadinho” enquanto vê a professora lavando o carro de shortinho, favor não dar um close gigante na genitália do moleque. Fora outras coisas que não vale à pena citar.

Dirigido por Jake Kasdan com roteiro da dupla Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg, o filme se apoia num humor de muito mau gosto, que consegue no máximo arrancar um sorriso amarelo do público. Para quem foi atraído pelo nome Cameron Diaz no cartaz, é decepção na certa. Ela não é uma atriz fora de série, mas já fez trabalhos muito mais interessantes que esse, e já que falamos da moda do politicamente incorreto, vale citar “Quero ficar com Mary”, que ainda em 1998 conseguiu utilizar muito bem esse recurso, graças ao bom trabalho dos irmãos Farrely.

Quando nem o apelo sexual em cima de Cameron Diaz funciona como atrativo para um filme, há algo de muito errado. O nome é “Professora sem classe”, mas poderia ser “professora sem graça”, “sem sentido”, “sem rumo”, “sem rendimento”… tanto faz. Filme reprovado.

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