Conversas em voz alta, barulho de pipoca, o telefone celular que toca, a lata de refrigerante que é aberta, os comentários feitos a cada ação – por mais irrelevante que seja – dos personagens do filme.
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Contra todo esse acervo de sons e movimentos os “shhhhh” dos que esperam ter algum sossego numa sala de cinema parecem mesmo ser inúteis. Vários cinéfilos já escreveram em seus blogs sobre a tarefa difícil – quase impossível – na qual o antes muito simples ato de ver um filme vem se transformando.
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Como disse esse blog, de nada adiantam aqueles vídeos que antecedem os filmes e que ditam a conduta adequada, porque as pessoas parecem agir exatamente da maneira oposta.

Este outro blog publicou um verdadeiro guia de boas maneiras com dez pontos, com os quais faço coro, destacando alguns deles:

Os cinemas são, cada vez mais, extensões das praças de alimentação dos shopping centers. O objetivo aqui não é tirar o direito sagrado às guloseimas de que todo ser humano dispõe, mas é que não custa nada recorrer a opções menos barulhentas e que incomodem menos, né mesmo? Por que não comer o hamburger antes do filme? Ninguém merece o cheiro de fast food tomando todo o ambiente.

Não, a ideia não é falar baixinho. A ideia nem sequer é atender discretamente. A ideia é mesmo não atender. Simples assim, e ponto final.

Não dê uma de Rubens Ewald Filho em dia de cerimônia do Oscar. Por mais que a gente esteja empolgado com o filme, ficar nessa de comentar cada cena é um ato absolutamente desnecessário e irritante.

Essa questão das boas maneiras ou da falta delas parece ser um tema bem próprio dos dias atuais e ter a ver com o fato do cinema ter se tornado – hoje muito mais que ontem – uma mercadoria. Como disse o professor André Setaro, cinéfilo de longa data e um dos mais revoltados críticos do comportamento assumido pelos frequentadores de agora,

A sociedade de consumo tirou a condição de cinéfilo para torná-lo, via a propaganda massiva, um mero consumidor de filmes. A maioria das pessoas que vai ao cinema hoje é constituída de consumidores e não de cinéfilos. O ir ao cinema atualmente é apenas uma das fases do ‘shoppear’.
É muito difícil encontrar quem não tenha uma história pra contar. Um barraco, um bate boca etc. Falar com o lanterninha nem sempre ajuda e, muitas vezes, o incomodado em questão acaba mesmo tendo que se mudar. Pra colocar pra fora essa angústia, houve mesmo quem tenha criado campanhas como essa:
Seja educado, cinema é lugar sagrado
Acho um pedido muito justo.

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