As adaptações dos títulos dos filmes para o português são um capítulo à parte quando se trata de cinema. São subtítulos que aparecem do nada e sentidos que são absolutamente alterados, nos fazendo pensar “mas quem foi o tradutor sem noção responsável por isso?”

Uma das últimas traduções bizarras que me chamou a atenção foi a que transformou “I love you Phillip Morris” em “O golpista do ano”. O filme de 2009, estrelado por Jim Carrey, é baseado em fatos reais e conta a história de Steven Russel. E tudo bem que o protagonista é, de fato, um golpista, mas a história não se resume a isso, já que trata-se também de uma história de amor (Russel, que é gay, vive um romance com Phillip Morris, interpretado por Ewan McGregor). Daí que o título “O Gopista do Ano”, além de ser um super clichê, não traduz em nada a complexidade do filme.
Um dos casos mais emblemáticos, porém, é o de “Amnésia”, cujo título original é “Memento” (algo a ver com lembrança). O negócio é que o protagonista do filme afirma umas cinquenta vezes que NÃO tem amnésia, e sim um outro tipo de problema, o que só nos leva a supor que os responsáveis pelo título não devem ter visto o filme…
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No entanto, vale lembrar que se nós muitas vezes sentimos vergonha dos títulos que os filmes recebem por aqui, temos razões para sentir uma vergonha alheia duplamente maior quando o assunto são os títulos lançados em Portugal. Lá a gente encontra “Toy Story” traduzido como “Os rivais” e “Ghost – do outro lado da vida” traduzido como “Ghost – o espírito do amor”. Sem comentários, né?
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Se observarmos os títulos que estão atualmente no cinema já notamos alguns deslizes: o que, no original, é apenas RED, ganha o subtítulo de “aposentados e perigosos”; John Lennon, que no título original do filme que conta a sua vida é o garoto que não pertence a lugar nenhum (Nowhere Boy) vira “O garoto de Liverpool”. Não faltam, enfim, exemplos que nos permitem concluir o quão estranha pode ser a inventividade dos criativos tradutores.

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