Há muito tempo os longas de animação deixaram de ser “coisa de criança”. A maior preocupação com a maturidade do roteiro além da evolução técnica observada nas novas produções (até mesmo nas de baixo orçamento), foram responsáveis pelo crescimento do gênero principalmente nas salas de cinema. Contrariando a ideia que se tinha de animações para cinema, quando a Disney dominava o mercado com seus musicais animados em 2D, os anos 2000 iniciaram com uma variedade de longas que trazem além de qualidade técnica e elementos que agradam as crianças, histórias com mais profundidade, dignas de filmes live action. Hoje, 28 de outubro dia internacional da animação, separei alguns do meus filmes preferidos que se destacam pela originalidade e maturidade de suas histórias:

As Bicicletas de Belleville (2003)

O filme já cativa o espectador pela protagonista. Madame Souza é uma senhora portuguesa muito simpática que faz de tudo para agradar o seu neto, inicialmente um garoto atrapalhado e melancólico. Na história, ela se dedica exclusivamente ao menino e em certo momento o presenteia com um cachorro, que faz o garoto mudar a sua visão de mundo completamente. Mais tarde quando o mesmo cresce e se apaixona pelo ciclismo, a vovó lhe compra uma bicicleta. Às vésperas de um campeonato de ciclismo na cidade, o garoto é sequestrado e Madame Souza parte para uma jornada surreal cheia de referências a nossa sociedade. O longa é uma animação francesa.

A viagem de Chihiro (2001)
Sou suspeito para falar, pois sou muito fã do Hayao Myazaki e todos os seus filmes, mas de longe A viagem de Chihiro é o meu favorito. Essa bela animação foge completamente aos padrões do gênero. A história de uma garota que se perde durante uma mudança juntamente com seus pais e acaba descobrindo um mundo mágico e misterioso, acumulou a maior bilheteria em sua época de lançamento no Japão. Curiosamente, a Disney foi a responsável em dar projeção mundial a esse filme após comprar os seus direitos de sua exibição, mas isso não tira o fato de ter sido idealizada e produzida no Japão.
Ponyo (2008)

Mais uma do Hayao Myazaki. Dessa vez contando a história de uma amizade que começa no mar. Ponyo é uma peixinha dourada que ao conhecer um garoto chamado Sosuke, imediatamente mantém um vinculo de amizade com ele. A amizade entre os dois é tão grande que Ponyo resolve se tornar humana só para ficar mais tempo ao lado de seu amigo. O filme tem o enredo leve e simples, mais fácil de ser assimilado pelo público infantil, mesmo assim não deixa de falar com eficiência a respeito de família, valores e amizade.

Mary e Max (2009)
Uma história de amizade que explora uma chance remota de encontro entre duas pessoas em lados opostos do mundo. O filme acompanha dois personagens solitários, cujas vidas se cruzam pelo maior dos acasos: uma página aleatória aberta em uma lista telefônica. Motivada por uma dúvida infantil, a australiana Mary Daisy Dinkle, 8 anos, decide escrever ao nova-iorquino Max Jerry Horowitz, 44 anos. À partir disso, se inicia uma emocionante relação que perdura por mais de uma década. O tom depressivo, com personagens nada “bonitinhos” e nem “fofinhos” não chega a incomodar, pelo contrário, a fotografia é lindíssima com cenários obscuros e ricos em detalhes. Uma das mais bonitas animações que já vi, sem dúvidas.
Valsa com Bashir (2008)

Episódios da Guerra do Líbano nos anos 80 nunca antes relatados, memórias delirantes e bem pesadas, um documentário que põe o “dedo na ferida”, tudo isso em forma de animação. Valsa com Bashir, retrata as tentativas de Folman, um veterano da Guerra do Líbano de 1982, de recuperar suas memórias perdidas dos eventos que marcaram o massacre de Sabra e Shatila. Escrito e dirigido por Ari Folman, o documentário animado, traz ainda uma alegoria aos campos de concentração que dizimaram um número enorme de judeus, negros, ciganos e homossexuais. Vencedor do globo de ouro de melhor filme estrangeiro.

Persépolis (2007)
Outro longa de animação made in France. A história do filme se inicia pouco antes da Revolução Iraniana, quando a protagonista Marjane atinge a adolescência, e acaba quando ela é uma expatriada de 22 anos. Uma ótima animação e de importante relevância para compreender as questões contemporâneas relativas ao Irã. Revela um panorama da crescente opressão sobre esse povo, realizada por seus próprios irmãos e consegue mostrar de forma bem-humorada, mas reflexiva, a opressão e discriminação sobre a mulher iraniana.

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TEM QUE LER:

Mary and Max – por Deise Luz (Blog Sete Faces)
Mary and Max – por Marcio Melo (Blog Porra, man!)

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